Saiba em quais países o BIM é obrigatório para obras públicas

A tecnologia BIM (Building information modeling) revolucionou a construção civil em todo o mundo. O projeto é feito de forma simultânea à criação do modelo. E os desenhos técnicos são extraídos a partir do modelo, o que garante celeridade ao processo, agilidade e, principalmente, precisão nas informações. Por isso, essa tecnologia passa a ser cada vez mais exigida em obras públicas. Assim, em quais países o BIM é obrigatório para obras públicas?

Para responder essa questão e oferecer um panorama geral sobre o tema, fizemos este artigo. Falaremos sobre o que é o BIM e quais países exigem projetos nesta metodologia para obras públicas. Ao fim, destacaremos a situação do BIM no Brasil e alguns cases de sucesso.

Acompanhe!

O que é o BIM

BIM, diferentemente do que muitos profissionais da construção imaginam, não é um software ou uma plataforma de projetos, como AutoCAD, mas sim uma tecnologia — ou seja, vários softwares diferentes utilizam a tecnologia BIM.

Assim, esta tecnologia pode ser resumida, por definição, como uma metodologia de elaboração de projetos. Tem como objetivo a integração ampla entre diferentes áreas técnicas (elétrico, estrutural, hidrossanitário, gases, etc.) para determinada finalidade.

Desse modo, a metodologia BIM vai de encontro com o que ainda é praticado no mercado da construção civil. Grande parte dos profissionais que já apresentam experiência ainda estão presos a metodologia antigas baseadas na elaboração de projetos de forma segregada. Isto é, cada área técnica desenvolve a sua parte de forma independente, muitas vezes sem manter uma comunicação direta, o que atrapalha a compatibilidade de projetos.

Por outro lado, os novos profissionais apresentam menos resistência para se atualizar quanto ao uso dessa nova tecnologia. Todavia, a maioria dos profissionais ainda estão sendo formados e aprendendo com as práticas antigas.

Vantagens do BIM

A principal conquista que a metodologia BIM traz para a construção civil está relacionada à compatibilidade de projetos de forma precisa e ágil. Projetos compatibilizados são menos propensos a apresentarem erros, vícios ou qualquer outro empecilho que impossibilite a execução de uma obra, prejudique-a ou mesmo diminua a qualidade da construção ou projeto.

Com isso, se evita o retrabalho, replanejamento na hora da execução dos projetos. Com um mercado cada vez mais competitivo, empresas e profissionais da construção civil devem estar cada vez mais atentos quanto à tecnologia BIM caso desejem atuar no mercado de forma competitiva.

Cada vez menos clientes estão aceitando profissionais que utilizam tecnologias e metodologias ultrapassadas de construção civil.

E entre os clientes, temos o poder público. Em diferentes países, o uso da tecnologia BIM já é obrigatório e no Brasil, o uso do BIM se torna um diferencial para a licitação de muitas obras públicas.

Entre os principais motivos para a exigência, podemos destacar a diminuição dos custos (por diversos motivos, como diminuir erros e manter o valor da obra baixo); compatibilização precisa entre projetos diferentes, geração automática de documentos e orçamentos, entre outros.

Outro fator muito importante, mas nem sempre comentado, é o tempo. Na sociedade contemporânea, este elemento se tornou um ativo muito importante. E, para atender a essa nova demanda, o mercado exige compatibilização e integração de projetos, que reduz muito o tempo de confecção de projetos.

Há um velho ditado que afirma “tempo é dinheiro” e para uma empresa de construção civil isso se mostra verdade em diferentes níveis. Com a redução da necessidade da contratação de mão de obra, entrega de mais obras em menos tempo — aumentando a produtividade, entre outros.

Quais são os países que já exigem projetos em BIM para obras públicas

Alguns países já adotam o BIM como uma exigência para obras públicas.  Entre eles, temos: Chile, Estados Unidos, Rússia, China e Reino Unido.

O Chile é o país mais rico da América Latina e isso é uma das explicações ao fato deste ser o primeiro país da América Latina a exigir que projetos públicos sejam entregues com uso da tecnologia BIM. Desde 2012 o país aprova projetos em BIM para licitações públicas e em 2020 a exigência tornou-se obrigatória.

Os Estados Unidos é o país mais rico do mundo e com uma indústria da construção civil pujante. Além disso, apresenta uma federação bastante rígida — os Estados são autônomos para definir uma legislação própria em muitos assuntos. Dessa forma, a exigência do BIM varia de acordo com cada Estado. Wisconsin foi o primeiro Estado a fazer essa exigência.

Na Rússia, o BIM não é exigência. Porém, há um incentivo para que a metodologia seja implementada em obras públicas de forma gradativa. As olimpíadas de inverno de 2014, por exemplo, exigiu projetos de estádios e demais equipamentos em BIM.

A China é o país que mais cresce no mundo desde os anos 2000. E a implementação do BIM é um esforço do governo para modernizar a indústria da construção civil no país. Atualmente, grande parte dos projetos já são realizados por meio da tecnologia BIM.

O Reino Unido vem introduzindo o BIM para obras públicas desde 2016 e pretende finalizar a transição até o ano de 2025.

E no Brasil?

O Brasil é um país continental e profundamente desigual. Dessa maneira, a introdução do BIM varia de acordo com cada região. Em Santa Catarina, há a exigência do uso da tecnologia desde 2014, mas em outros, como o Maranhão, pouco se usa a tecnologia (mesmo no setor privado).

De acordo com o Decreto nº 10.306 de 2 de abril de 2020, desde janeiro de 2021, o BIM já é obrigatório para execução de obras feitas para órgãos e entidades da administração Federal.

Cases de sucesso no uso do BIM para construção civil

Como exemplo global, podemos citar a AECON, empresa dos EUA de construção civil e faturamento anual em torno de 18 bilhões de dólares. No país, temos a CCDI, que já ganhou prêmios de entidades como o SINDUSCON pelo sucesso na introdução do BIM e a MRV, que já utiliza QR Code para plantas em realidade virtual.

Assim, a tecnologia BIM é muito revolucionária no sentido de apresentar maior celeridade e exatidão ao processo que vai desde o projeto até a manutenção do ciclo de vida de uma edificação. Dessa maneira, cada vez mais o setor público enxerga na tecnologia uma aliada para melhorar qualidade e diminuir custos no setor público — em alguns países, o BIM é obrigatório para obras públicas e, no mundo, já é uma tendência.

Por tudo que foi apresentado, podemos perceber que o BIM, mais cedo ou mais tarde, vai se tornar um item fundamental para os profissionais e empresas de construção civil como um dia já foi o AutoCAD e o Excel.

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