Empreitada na construção civil: tipos, contratos e como funciona

Entenda como funciona o contrato de empreitada, quais são seus principais tipos e o que avaliar antes de contratar uma obra ou serviço.
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A empreitada na construção civil é um modelo de contratação em que uma pessoa ou empresa assume a execução de uma obra ou serviço por um preço previamente ajustado. O foco do contrato está na entrega de um resultado, e não apenas na disponibilização de trabalhadores.

Esse modelo pode ser usado para contratar desde uma etapa específica, como impermeabilização, instalação elétrica ou revestimento, até a execução completa de um empreendimento.

A escolha, porém, não deve se limitar à comparação de preços. O tipo de empreitada influencia a medição, a forma de pagamento, a distribuição de riscos, a responsabilidade pelos materiais e a necessidade de detalhamento do projeto.

Um contrato por preço global, por exemplo, exige um escopo mais definido. Já a empreitada por preço unitário costuma ser mais adequada quando os quantitativos podem variar durante a execução.

Por isso, antes de contratar, é preciso responder a três perguntas:

O escopo está suficientemente detalhado? Os quantitativos são confiáveis? Como o serviço será medido e pago?

As respostas ajudam a definir o regime mais adequado e reduzem a possibilidade de aditivos, disputas e pagamentos incompatíveis com o que foi executado.

O que é empreitada na construção civil?

Empreitada na construção civil é o contrato pelo qual o empreiteiro se compromete a executar determinada obra ou serviço para o contratante, mediante remuneração previamente definida.

O Código Civil disciplina o contrato de empreitada nos artigos 610 a 626. Pela legislação, o empreiteiro pode contribuir apenas com seu trabalho ou também fornecer os materiais necessários à execução.

O elemento central da empreitada é a obrigação de entregar o resultado contratado. Isso a diferencia da simples contratação de mão de obra por jornada ou da administração de obra baseada no reembolso dos custos incorridos.

O empreiteiro possui autonomia para organizar a execução, mas isso não elimina a fiscalização do contratante nem afasta automaticamente responsabilidades legais, contratuais, trabalhistas, técnicas ou relacionadas à segurança.

Na prática, a empreitada pode envolver:

  • a execução de um sistema de impermeabilização;
  • instalações elétricas, hidráulicas ou de climatização;
  • execução de fundações ou estruturas;
  • aplicação de revestimentos;
  • reforma completa de uma edificação;
  • construção integral de um empreendimento.

O serviço contratado precisa estar claramente caracterizado. Quanto mais genérico for o objeto, maior será a possibilidade de divergências sobre o que estava ou não incluído no preço.

Fluxo de um contrato de empreitada na construção civil, do escopo à execução, medição, pagamento e entrega.

Como funciona um contrato de empreitada?

O contrato de empreitada define o resultado que deverá ser entregue, o preço, o prazo, as obrigações das partes e os critérios usados para acompanhar e receber a execução.

Na empreitada, o contratante não compra simplesmente horas de trabalho. Ele contrata uma obra ou serviço com características, condições e desempenho previamente estabelecidos.

Isso exige que o documento apresente um escopo tecnicamente compreensível. Projetos, memoriais, planilhas, especificações, cronogramas e critérios de aceitação podem integrar o contrato ou ser mencionados como anexos.

O preço pode ser definido para toda a obra ou calculado com base nas unidades efetivamente executadas. Essa escolha interfere diretamente na alocação dos riscos.

Também é necessário definir quem fornecerá os materiais, equipamentos, ferramentas e mão de obra. O fato de o empreiteiro assumir determinada parte da execução não significa que o contratante esteja isento de fiscalizar o cumprimento do contrato.

Em obras privadas, o instrumento deve observar o Código Civil e as demais normas aplicáveis. Nas contratações públicas, o regime de execução também precisa estar alinhado à Lei nº 14.133/2021, ao edital, aos projetos e à matriz de riscos, quando houver.

Quais são os tipos de empreitada na construção civil?

Os tipos de empreitada podem ser classificados por três critérios diferentes: forma de remuneração, responsabilidade pelo fornecimento dos materiais e extensão do objeto contratado.

Separar esses critérios evita uma confusão comum. Empreitada por preço global e empreitada mista, por exemplo, não são categorias opostas. Um contrato pode ter preço global e, ao mesmo tempo, prever que o empreiteiro forneça materiais e mão de obra.

Empreitada por preço global

Na empreitada por preço global, a execução é contratada por um preço certo e total.

O modelo é indicado quando o objeto, os projetos e os quantitativos estão suficientemente definidos. O pagamento costuma ocorrer conforme a conclusão de etapas, parcelas ou eventos estabelecidos no contrato.

O preço global não significa que qualquer risco será automaticamente suportado pelo empreiteiro. Alterações legítimas de escopo, fatos imprevisíveis, falhas relevantes nos documentos do contratante e hipóteses legais de revisão precisam ser analisados conforme o contrato e a legislação aplicável.

Em obras públicas, o TCU orienta que esse regime exige projeto detalhado e quantitativos com elevada precisão. Quanto maior a incerteza, maior tende a ser o risco incorporado ao preço.

Empreitada por preço unitário

Na empreitada por preço unitário, a remuneração é calculada com base nas quantidades efetivamente executadas, multiplicadas pelos preços definidos para cada unidade de serviço.

O pagamento pode considerar, por exemplo:

  • metros quadrados de revestimento;
  • metros cúbicos de escavação;
  • metros lineares de tubulação;
  • quilogramas de aço;
  • unidades de equipamentos instalados.

Esse regime costuma ser mais adequado quando os quantitativos apresentam incerteza relevante ou podem variar durante a execução.

Segundo o TCU, a empreitada por preço unitário é indicada para situações em que a quantidade final dos serviços possui imprecisão intrínseca, como reformas e obras com movimentação expressiva de terra.

A flexibilidade exige controle rigoroso. Cada medição precisa comprovar a quantidade executada, a conformidade do serviço e sua correspondência com a planilha contratual.

Empreitada de lavor

Na empreitada de lavor, também chamada de empreitada de mão de obra, o empreiteiro fornece principalmente o trabalho necessário à execução. Os materiais são disponibilizados pelo contratante, conforme previsto no contrato.

Esse formato pode ser adequado quando a empresa contratante possui estrutura própria de compras, estoque e logística, mas prefere terceirizar a execução.

O risco de incompatibilidade entre materiais e serviço precisa ser tratado com cuidado. O contrato deve prever como serão registradas perdas, recusas, atrasos no fornecimento e problemas de qualidade dos insumos entregues pelo contratante.

Empreitada mista

Na empreitada mista, o empreiteiro fornece tanto a mão de obra quanto os materiais necessários para executar o objeto contratado.

Isso concentra responsabilidades operacionais no contratado, mas não elimina os deveres do contratante relacionados à fiscalização, ao pagamento, às condições do local, às informações fornecidas e às demais obrigações legais.

Quando o empreiteiro fornece os materiais, o Código Civil estabelece regras específicas sobre riscos até a entrega da obra. Por isso, o contrato deve definir critérios de recebimento, armazenamento, qualidade, substituição e responsabilidade por perdas.

Empreitada integral

A empreitada integral envolve a contratação do empreendimento em sua totalidade, incluindo as etapas necessárias para entregá-lo em condições de entrada em operação.

É o modelo frequentemente associado ao conceito de turn key, ou “chave na mão”.

Na esfera pública, a Lei nº 14.133/2021 define a empreitada integral como a contratação de um empreendimento completo, sob responsabilidade do contratado até sua entrega em condições de funcionamento, segurança e atendimento às finalidades previstas.

Ela não deve ser confundida com contratação integrada. Na empreitada integral, a extensão do objeto é ampla; na contratação integrada, o contratado também assume a elaboração e o desenvolvimento dos projetos básico e executivo a partir de um anteprojeto.

Preço global

Preço certo para o objeto completo.

Preço unitário

Pagamento pelas quantidades efetivamente executadas.

De lavor

O empreiteiro fornece principalmente a mão de obra.

Mista

O empreiteiro fornece mão de obra e materiais.

Integral

O empreendimento é entregue em condições de operação.

Qual é a diferença entre empreitada global e unitária?

A principal diferença está na forma de remuneração e na maneira como as variações de quantitativos são tratadas.

Critério Preço global Preço unitário
Formação do preço Valor total para o objeto Preços por unidade de serviço
Uso mais adequado Escopo e quantitativos bem definidos Quantitativos sujeitos a variação
Medição Por etapas, parcelas ou eventos Pelas quantidades executadas
Valor final Mais previsível, se não houver alterações Depende das quantidades medidas
Exigência de projeto Elevada Também necessária, mas admite maior incerteza quantitativa
Principal risco Omissões e indefinições no escopo Divergências de medição e crescimento das quantidades
Exemplo comum Construção com projeto consolidado Reforma, terraplenagem ou escavação

Nenhum dos modelos é melhor em qualquer situação. O regime precisa ser compatível com a maturidade do projeto e com o grau de precisão possível no levantamento das quantidades.

Adotar preço global em uma obra repleta de incertezas não elimina essas incertezas. Em muitos casos, apenas transfere o risco para a proposta, aumenta o preço ou cria condições para disputas futuras.

Da mesma forma, utilizar preço unitário sem critérios precisos de medição pode gerar crescimento descontrolado do valor contratado.

Empreitada é o mesmo que administração de obra?

Não. Na empreitada, o contratado assume a obrigação de entregar um resultado por preço ajustado. Na administração de obra, a remuneração geralmente está relacionada aos custos efetivamente realizados, acrescidos de uma taxa ou percentual de administração.

Empreitada

Preço definido de forma global ou por unidade.
Foco na entrega do objeto.
Maior previsibilidade quando o escopo está maduro.
Responsabilidade operacional mais concentrada no empreiteiro.

Administração

Pagamento conforme os custos incorridos.
Maior participação do contratante nas decisões.
Flexibilidade para alterações durante a execução.
Maior exposição do contratante às variações de custo.

Na prática, a administração pode ser interessante quando o projeto ainda sofrerá muitas definições ou quando o contratante deseja acompanhar diretamente compras e contratações.

A empreitada tende a funcionar melhor quando o resultado esperado pode ser descrito com clareza e os critérios de execução, medição e aceitação estão definidos.

Quando a empreitada vale a pena?

A empreitada costuma valer a pena quando o serviço pode ser delimitado, medido e atribuído a um responsável com capacidade técnica para executar o resultado esperado.

Um cenário comum é a contratação de atividades especializadas que não fazem parte da rotina da empresa. Impermeabilização, automação, instalações especiais, fachadas e determinados sistemas estruturais podem exigir conhecimentos e equipes que não justificam manutenção permanente no quadro interno.

O modelo também pode ser adequado quando a construtora precisa terceirizar uma frente específica sem perder a referência de prazo, custo e qualidade.

A escolha entre preço global e unitário depende da confiabilidade das informações disponíveis. Se o projeto está consolidado e os quantitativos podem ser levantados com precisão, o preço global pode oferecer maior previsibilidade.

Se a quantidade final depende das condições encontradas durante a execução, como em uma reforma com interferências ocultas, o preço unitário pode reduzir o risco de contratar um volume incompatível com a realidade.

A empreitada não deve ser usada para disfarçar uma relação de emprego. Autonomia apenas formal, subordinação direta, pessoalidade, habitualidade e controle típico de jornada podem gerar riscos trabalhistas, independentemente do nome dado ao contrato.

O que deve constar em um contrato de empreitada?

Um contrato de empreitada deve deixar claro o que será executado, como o serviço será medido, quando será pago e quais responsabilidades pertencem a cada parte.

O nível de detalhamento precisa ser proporcional à complexidade da obra. Para um serviço especializado, uma descrição técnica acompanhada de projeto, quantitativos e critérios de aceitação pode ser suficiente. Para um empreendimento completo, serão necessários anexos e regras mais extensas.

Tema O que precisa estar definido
Objeto Escopo, limites, exclusões e documentos de referência
Preço Valor global ou preços unitários
Materiais Quem compra, transporta, armazena e responde por perdas
Prazo Início, término, marcos e condições de prorrogação
Medição Critérios, documentos e periodicidade
Pagamento Prazos, retenções e condições
Alterações Procedimento para serviços adicionais ou supressões
Qualidade Especificações, inspeções, testes e aceite
Segurança Obrigações no canteiro e documentação aplicável
Responsabilidade técnica ART, RRT ou TRT, conforme o serviço
Garantias Prazo, correções e atendimento de defeitos
Encerramento Recebimento, entrega de documentos e quitação

Cláusulas genéricas como “executar todos os serviços necessários” não substituem um escopo tecnicamente estruturado.

Também é importante definir como serão tratados serviços não previstos. A execução sem autorização, registro ou composição de preço pode gerar divergências difíceis de resolver posteriormente.

Como funciona a medição em contratos de empreitada?

A medição verifica o que foi executado e se o serviço atende às condições necessárias para pagamento.

Na empreitada por preço unitário, a medição confirma as quantidades executadas em cada item da planilha. Isso pode envolver levantamentos em campo, memórias de cálculo, fotografias, plantas marcadas, registros de inspeção e validação dos responsáveis.

Na empreitada por preço global, a medição pode ocorrer pela conclusão de etapas, parcelas ou eventos estabelecidos no cronograma. O valor pago corresponde ao avanço físico previamente associado a cada marco, e não necessariamente à apuração de todas as quantidades realizadas naquele período.

O TCU destaca que os critérios e a periodicidade da medição, assim como as condições de pagamento, devem constar no contrato.

Independentemente do regime, não basta registrar um percentual genérico de avanço. A medição precisa estar vinculada a serviços verificáveis e aceitos.

Exemplo prático: impermeabilização de cobertura

Considere a contratação da impermeabilização de uma cobertura.

No preço global, o contrato pode prever um valor total para preparar a base, aplicar o sistema e realizar os testes. O pagamento poderá ser dividido entre preparação, aplicação e aceite final.

No preço unitário, a remuneração pode ser calculada pelos metros quadrados efetivamente tratados, acrescidos de outros itens previstos, como regularização, rodapés e proteção mecânica.

Se a área real divergir da estimativa, o efeito financeiro será diferente em cada regime. Por isso, o levantamento inicial e os critérios de medição precisam estar alinhados à forma de contratação.

Quais erros geram prejuízos e disputas na empreitada?

O principal erro é contratar com um escopo insuficiente. Se os documentos não deixam claro o que está incluído, cada parte pode interpretar o objeto de uma forma.

Outro problema é escolher o regime de remuneração sem considerar a qualidade dos projetos e quantitativos. Um preço global baseado em informações frágeis pode gerar propostas infladas ou solicitações frequentes de reequilíbrio e aditivos.

Na empreitada unitária, a falta de critérios de medição facilita divergências sobre quantidades e qualidade.

Também são frequentes:

  • propostas sem composição de custos;
  • materiais definidos de forma genérica;
  • mudanças solicitadas verbalmente;
  • serviços adicionais sem autorização;
  • cronogramas incompatíveis com a produtividade prevista;
  • ausência de registros de campo;
  • recebimento sem inspeção ou testes;
  • responsabilidades técnicas não formalizadas.

A solução não está em tornar o contrato excessivamente burocrático. Está em documentar o que efetivamente influencia escopo, preço, prazo, qualidade e pagamento.

Como a OrçaFascio pode apoiar contratos de empreitada?

A OrçaFascio pode apoiar a estruturação do orçamento, o acompanhamento da execução e a validação das medições em contratos de empreitada.

O módulo de Orçamento de Obras permite organizar serviços, composições, insumos, quantitativos e preços. Essa base ajuda a comparar propostas, avaliar a coerência dos valores e identificar itens que precisam ser detalhados antes da contratação.

No preço unitário, o OF Medição permite registrar e acompanhar quantidades executadas. No preço global, o controle pode ser associado às etapas e ao avanço físico previsto.

O Planejamento ajuda a conectar prazo, atividades e evolução da obra, enquanto o Diário de Obras contribui para documentar equipes, ocorrências, condições do campo e serviços realizados.

Esses registros não substituem um contrato bem elaborado. Eles ajudam a produzir as evidências necessárias para acompanhar seu cumprimento.

Conclusão

A empreitada na construção civil é um modelo baseado na entrega de um resultado por preço ajustado. Seu funcionamento depende da clareza do escopo, da maturidade dos projetos, da forma de remuneração e dos critérios de medição.

A empreitada por preço global tende a ser mais adequada quando o objeto e os quantitativos estão bem definidos. A empreitada por preço unitário oferece maior flexibilidade quando as quantidades podem variar, mas exige um controle de campo mais rigoroso.

As classificações relacionadas ao fornecimento de materiais e à extensão do objeto também precisam ser observadas. Um contrato pode ser global e misto, unitário e de lavor ou envolver a entrega integral do empreendimento.

Mais do que escolher um nome para o contrato, é necessário definir como serão distribuídas as responsabilidades e como cada serviço será comprovado, aceito e pago.

Quando orçamento, contrato, planejamento e medição utilizam a mesma base de informações, a empreitada deixa de ser apenas uma forma de terceirização e passa a funcionar como um modelo de execução mais controlável.

Perguntas Frequentes

O que é empreitada na construção civil?
Empreitada é o contrato pelo qual uma pessoa ou empresa assume a execução de uma obra ou serviço mediante remuneração ajustada, com responsabilidade pela entrega do resultado definido.
Qual é a diferença entre empreitada global e unitária?
Na empreitada global, há um preço total para o objeto. Na unitária, o pagamento é calculado pelas quantidades efetivamente executadas, conforme os preços de cada unidade de serviço.
Empreitada mista é o mesmo que preço global?
Não. Empreitada mista indica que o empreiteiro fornece mão de obra e materiais. Preço global indica a forma de remuneração. Um mesmo contrato pode ser misto e ter preço global.
Quem compra os materiais em uma empreitada?
Depende do contrato. Na empreitada de lavor, os materiais geralmente são fornecidos pelo contratante. Na empreitada mista, o empreiteiro fornece materiais e mão de obra.
Como é feita a medição de uma empreitada?
Na empreitada unitária, medem-se as quantidades executadas. Na global, a medição pode ocorrer por etapas, parcelas ou eventos concluídos, conforme os critérios definidos no contrato.

Sobre a OrçaFascio

A OrçaFascio é uma plataforma especializada em tecnologia para orçamento, planejamento e gestão de obras na construção civil.
Com recursos que integram bases de preços públicas, análise de custos e organização técnica de projetos, a solução ajuda empresas de engenharia e construtoras a tomarem decisões com mais segurança.
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