BDI em obras públicas: como calcular, aplicar e justificar corretamente

Entenda o BDI em obras públicas e evite erros que geram glosas e questionamentos
Mais de 8.000 clientes revolucionando suas obras
Teste Grátis

O BDI em obras públicas é um dos pontos mais críticos do orçamento. Um percentual mal definido pode comprometer a viabilidade da proposta, gerar questionamentos em auditorias ou resultar em glosas durante a execução do contrato. Mesmo assim, ainda é comum encontrar orçamentos públicos com BDIs genéricos, pouco justificados ou simplesmente copiados de outros projetos.

Boa parte desse problema ocorre porque o conceito de BDI, apesar de conhecido, costuma ser tratado de forma superficial. Em especial no setor público, o BDI não é apenas um ajuste financeiro sobre o custo direto. Ele é um componente técnico que precisa ser coerente, defensável e compatível com os princípios da administração pública.

Neste artigo, você vai entender como funciona o BDI em obras públicas, quais são seus componentes aceitos, como estruturá-lo corretamente e quais cuidados são essenciais para evitar erros recorrentes em licitações e contratos administrativos.

O que é BDI em obras públicas

BDI é a sigla para Benefícios e Despesas Indiretas. No contexto das obras públicas, ele representa o percentual aplicado sobre o custo direto da obra para cobrir despesas que não podem ser atribuídas diretamente aos serviços executados, além de contemplar tributos, riscos e a remuneração da empresa contratada.

O ponto central é que, em obras públicas, o BDI não pode ser tratado como um número arbitrário. Ele deve refletir a realidade da execução contratual e respeitar critérios técnicos, legais e de economicidade. Diferentemente do setor privado, onde há maior liberdade para composição de preços, o setor público exige justificativas claras e rastreáveis.

Na prática, o BDI faz a ponte entre o custo direto, formado por insumos, mão de obra e equipamentos, e o preço final apresentado em uma licitação ou utilizado como referência pelo órgão contratante.

Como o BDI impacta diretamente o valor global do contrato, ele costuma ser analisado em fiscalizações de obras públicas, conforme práticas adotadas por órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União.

Por que o BDI é especialmente sensível em obras públicas

O BDI costuma ser um dos primeiros elementos analisados por equipes de fiscalização e órgãos de controle. Isso acontece porque ele impacta diretamente o valor global do contrato e pode indicar distorções relevantes no orçamento.

Um BDI excessivamente baixo pode tornar a proposta inexequível, enquanto um BDI elevado, sem justificativa técnica, pode violar princípios como a economicidade e a razoabilidade. Em ambos os casos, o risco não é apenas financeiro, mas também jurídico e administrativo.

Além disso, como o BDI concentra itens que não aparecem explicitamente no custo direto, ele se torna um ponto natural de atenção em auditorias. Por esse motivo, sua composição precisa ser clara, coerente e defensável ao longo de toda a execução contratual.

Diferença entre BDI em obras públicas e em obras privadas

Embora o conceito de BDI seja o mesmo, a forma de aplicação muda significativamente quando se trata de obras públicas. No setor privado, o BDI costuma refletir decisões estratégicas da empresa, incluindo margens comerciais, riscos amplos e despesas administrativas definidas internamente.

No setor público, essa lógica não se sustenta. O BDI precisa estar alinhado a parâmetros objetivos e compatíveis com o tipo de contratação. Itens que fazem sentido em obras privadas nem sempre são aceitos em contratos administrativos, especialmente quando não possuem relação direta com a execução da obra.

Essa diferença é uma das principais causas de inconsistências em orçamentos públicos, sobretudo quando empresas utilizam modelos de BDI desenvolvidos para o mercado privado sem as devidas adaptações.

Quais elementos podem compor o BDI em obras públicas

A composição do BDI em obras públicas deve ser técnica e criteriosa. Embora existam variações conforme o tipo de obra e o regime tributário da empresa, alguns grupos de custos são tradicionalmente aceitos quando corretamente justificados.

As despesas indiretas incluem custos necessários para viabilizar a execução do contrato, mas que não podem ser apropriados diretamente a um serviço específico. Isso envolve, por exemplo, estrutura administrativa vinculada à obra, apoio técnico, planejamento, controle e custos gerais de canteiro que não se enquadram no custo direto.

Os tributos incidentes sobre o faturamento da obra também devem ser considerados no BDI. Nesse ponto, é essencial que o enquadramento tributário esteja correto e que não haja sobreposição com tributos já considerados nos custos diretos. Erros nessa etapa são frequentes e costumam gerar questionamentos.

O risco, quando incluído no BDI, deve se limitar a eventos previsíveis e inerentes à execução da obra. Não se trata de cobrir incertezas genéricas ou riscos extraordinários, mas de refletir variações normais de produtividade, interferências operacionais e situações comuns ao tipo de contrato.

Por fim, o lucro é parte legítima do BDI em obras públicas. No entanto, ele precisa estar alinhado a parâmetros praticados no mercado e compatíveis com a natureza da contratação pública. Percentuais excessivos, sem base técnica, tendem a ser questionados.

Análise técnica do BDI em obras públicas em planilha orçamentária
A composição do BDI precisa ser clara, auditável e coerente com o orçamento de referência.

O que não deve compor o BDI em obras públicas

Um erro recorrente em orçamentos públicos é a inclusão de itens indevidos no BDI. Isso geralmente ocorre por falta de critério ou pela tentativa de compensar falhas no custo direto.

Custos que já foram considerados diretamente nos serviços não devem reaparecer no BDI. Da mesma forma, despesas financeiras desvinculadas do contrato, riscos genéricos ou margens de lucro incompatíveis com a contratação pública comprometem a consistência do orçamento.

A lógica que deve orientar a composição do BDI é simples: se o item não é necessário para a execução da obra, não é previsível ou não pode ser justificado tecnicamente, ele não deve compor o percentual.

Como calcular o BDI em obras públicas de forma correta

O cálculo do BDI em obras públicas começa pela definição adequada do custo direto. Sem uma base sólida, qualquer percentual aplicado perde sentido. A partir daí, cada componente do BDI deve ser claramente identificado e quantificado.

Mais importante do que a fórmula utilizada é a metodologia adotada. O BDI precisa ser transparente, auditável e compatível com o orçamento de referência da administração pública. Percentuais genéricos, aplicados sem critério, são um dos principais fatores de inconsistência em licitações.

Um bom cálculo de BDI não busca maximizar o percentual, mas equilibrar viabilidade econômica, competitividade e conformidade técnica.

Na prática, estruturar corretamente o BDI exige que o custo direto esteja bem definido e que cada componente seja rastreável. É por isso que ferramentas específicas para orçamento público fazem diferença. No módulo Orçamento de Obras da OrçaFascio, o BDI pode ser aplicado de forma consistente sobre composições bem estruturadas, facilitando a análise técnica e reduzindo riscos de inconsistências ao longo do contrato.

BDI em planilhas orçamentárias e processos licitatórios

Em obras públicas, o BDI pode aparecer de diferentes formas nas planilhas orçamentárias. Em alguns casos, ele é apresentado de forma explícita e detalhada. Em outros, está embutido nos preços unitários dos serviços.

Independentemente do formato, a coerência entre o BDI, o custo direto e o valor global do contrato é essencial. Divergências entre esses elementos são rapidamente identificadas em análises técnicas e costumam gerar pedidos de esclarecimento ou ajustes.

A transparência na composição do BDI facilita não apenas a fase de licitação, mas também a gestão do contrato e a fiscalização da obra.

Erros mais comuns ao trabalhar com BDI em obras públicas

Alguns problemas se repetem com frequência em orçamentos públicos e ajudam a explicar por que o BDI é tão questionado. Entre eles, destacam-se a utilização de percentuais padronizados sem análise da obra, a falta de alinhamento com o regime tributário da empresa e a tentativa de concentrar no BDI custos que deveriam estar no custo direto.

Outro erro comum é tratar o BDI como um elemento fixo ao longo de toda a execução, sem revisões quando ocorrem mudanças relevantes no contrato. Embora o BDI não deva ser alterado arbitrariamente, ele precisa refletir a realidade contratual.

Boas práticas para estruturar o BDI em obras públicas

Uma abordagem consistente para o BDI passa por método e documentação. Registrar a composição do percentual, justificar cada componente e alinhar o BDI às referências aceitas pelo órgão contratante reduz significativamente os riscos de questionamentos.

Além disso, revisar o BDI sempre que houver mudanças relevantes no escopo, no prazo ou nas condições contratuais é uma prática saudável, desde que respeitados os limites legais.

Tratar o BDI como parte estratégica do orçamento, e não como um ajuste final, é um dos principais diferenciais em obras públicas bem planejadas.

Conclusão

O BDI em obras públicas é muito mais do que um percentual aplicado ao custo direto. Ele é um componente técnico, sensível e decisivo para a viabilidade do contrato, a segurança jurídica e a boa gestão da obra.

Quando estruturado com critério, o BDI contribui para propostas equilibradas, contratos mais previsíveis e menor exposição a riscos de glosa e questionamentos. Quando tratado de forma genérica, torna-se um ponto frágil em todo o processo de contratação.

Entender, calcular e justificar corretamente o BDI é uma exigência técnica indispensável para quem atua com obras públicas.

Compartilhe esse texto
A importância da Tecnologia e Inovação na Construção Civil
Baixe agora mesmo
Thank you! Your submission has been received!
Oops! Something went wrong while submitting the form.
Live especial OF ESTRUTURAL 2.0
A revolução do seu detalhamento estrutural no Revit
Inscreva-se

Perguntas Frequentes

O que significa BDI em obras públicas?
BDI é o percentual aplicado sobre o custo direto da obra para cobrir despesas indiretas, tributos, riscos e lucro, respeitando critérios técnicos e legais da administração pública. 
Existe um percentual padrão de BDI para obras públicas?
Não. O BDI deve ser calculado de acordo com as características da obra, o regime tributário e parâmetros de mercado aceitos, sempre com justificativa técnica. 
Lucro pode compor o BDI em obras públicas?
Sim. O lucro é um componente legítimo do BDI, desde que esteja dentro de limites razoáveis e compatíveis com a contratação pública. 
Quais riscos podem entrar no BDI em obras públicas?
Apenas riscos previsíveis e inerentes à execução do contrato, como variações normais de produtividade ou interferências operacionais comuns ao tipo de obra. 
Um BDI mal calculado pode gerar glosa?
Sim. BDIs inconsistentes, excessivos ou mal justificados são frequentemente questionados e podem resultar em glosas ou ajustes contratuais. 

Veja outros artigos

Curva ABC na construção civil: como usar para controlar custos e orçar melhor

Curva ABC na construção civil: como usar para controlar custos e orçar melhor

Entenda como a Curva ABC deixa de ser teoria administrativa e vira ferramenta prática de engenharia de custos 
2/11/2026
Leia mais
As Built: o que é, normas e como impacta custos e gestão de obras

As Built: o que é, normas e como impacta custos e gestão de obras

Por que o As Built é o verdadeiro “RG” da edificação e um ativo estratégico para a engenharia 
2/9/2026
Leia mais
BDI em obras públicas: como calcular, aplicar e justificar corretamente

BDI em obras públicas: como calcular, aplicar e justificar corretamente

Entenda o BDI em obras públicas e evite erros que geram glosas e questionamentos
16/2/2026
Leia mais
Construção Civil
Licitações de obras